quarta-feira, 2 de julho de 2025

O cuidado que começa de baixo para cima

Pés Diabéticos: O cuidado que começa de baixo para cima

Quando falamos em diabetes, é comum pensar no controle da glicemia, na alimentação e no uso de medicações. Mas há um ponto crítico que muitos ainda ignoram: os pés.

👣 O pé diabético é uma das complicações mais temidas e silenciosas da doença. Alterações na sensibilidade, má circulação e feridas que demoram a cicatrizar podem evoluir rapidamente para infecções graves — e, em muitos casos, levar até à amputação.

Como podóloga com experiência clínica e em equipes multidisciplinares, posso afirmar com segurança: o cuidado com os pés deve ser parte do tratamento do paciente diabético desde o diagnóstico.
Inclusive, tenho orgulho de fazer parte da ADISBEC (Associação dos Diabéticos do Grande ABC), uma entidade que acompanha e auxilia pessoas com diabetes em diversas frentes — orientação, prevenção e acolhimento.


🔍 O que acontece com os pés do paciente diabético?

Pacientes com diabetes podem desenvolver:

  • Neuropatia periférica: perda de sensibilidade, formigamento ou dor nos pés;

  • Má circulação (angiopatia diabética): diminuição do fluxo sanguíneo, dificultando a cicatrização;

  • Alterações ungueais e cutâneas: calos, rachaduras, ressecamento, micoses e onicocriptose (unha encravada);

  • Perda da percepção da dor: feridas podem passar despercebidas e agravar-se sem que o paciente perceba.


🦶 Como o podólogo pode (e deve) ajudar:

O atendimento podológico especializado é essencial para a prevenção de lesões e o monitoramento precoce de alterações nos pés diabéticos. Aqui estão algumas ações fundamentais:

✔ Avaliação clínica completa:

  • Inspeção da pele, unhas, calosidades, integridade do calcanhar e presença de fissuras ou micose;

  • Verificação de sensibilidade com monofilamento ou toque;

  • Observação da marcha e da pisada, quando possível.

✔ Corte técnico das unhas:

  • Sempre com atenção redobrada, evitando traumas e cortes agressivos.

✔ Remoção segura de calosidades:

  • Evita pressão excessiva que pode gerar rachaduras ou úlceras.

✔ Orientação ao paciente:

  • Sobre hidratação adequada dos pés;

  • Escolha correta de calçados;

  • Sinais de alerta que exigem atenção médica imediata.

✔ Encaminhamento e atuação multidisciplinar:

  • Sabemos nossos limites. Quando necessário, o podólogo é ponte com médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas.


❗ O que nunca deve ser feito:

  • Nunca cortar as unhas de forma agressiva ou “no cantinho” sem conhecimento técnico.

  • Jamais remover calos ou usar lixas/cremes abrasivos sem supervisão especializada.

  • Evitar automedicação ou uso de ácidos sem orientação profissional.


💬 Conclusão

O pé diabético não começa com a ferida — ele começa no descuido.

A atuação do podólogo clínico é uma ferramenta de prevenção, proteção e educação para esse paciente, ajudando a manter a integridade dos pés, reduzir riscos de infecção e preservar a qualidade de vida.

Se você é diabético, ou cuida de alguém com diabetes, agende uma avaliação preventiva.
Cuidar dos pés é parte fundamental do seu tratamento!


Profa. Aline Allexandre
Podóloga clínica | Podiatria | Saúde dos pés desde 2004
Entrepés Podologia – São Bernardo do Campo
Membro da ADISBEC – Associação dos Diabéticos do Grande ABC

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